“Mpox: o que todo mundo precisa saber agora”, tema da palestra realizada pelo médico infectologista Guilherme Roveri, na manhã desta sexta-feira (20), no Plenário da Câmara, disponibilizou informações sobre a doença, ajudando a população a reconhecer sintomas, a entender as formas de transmissão da virose e a evitar interpretações equivocadas. A atividade, promovida pela Escola do Legislativo (EL) “Dulce Whitaker”, e com a presença do presidente da EL, vereador Michel Kary (PL), teve como objetivo principal evitar a circulação de notícias falsas, principalmente depois da repercussão sobre a confirmação de um caso de mpox em Araraquara.
Acesso à informação
“Essa é uma oportunidade de a Escola do Legislativo trazer temas atuais e relevantes para a população de Araraquara, possibilitando à Câmara ser porta-voz de temas ligados à saúde e de interesse de todos, discutindo o assunto, tirando dúvidas e eliminando o preconceito gerado a partir da divulgação de notícias falsas”, destacou Kary. O parlamentar também enalteceu o projeto Parlamento Jovem, da EL, promovendo educação política e participação democrática junto a jovens estudantes de escolas públicas e privadas de Araraquara.
Com o público formado em sua maioria por educadores da rede pública de ensino, o palestrante falou sobre a origem do vírus, suas características e o cenário atual da doença no Brasil e no município.
“Como infectologista, a gente pondera e orienta a população sobre a mpox. Mesmo sendo uma doença viral, atualmente a taxa de transmissão é baixa e a mortalidade da doença é baixíssima. O paciente que teve a doença em Araraquara já se recuperou e passa bem. Há dois, três anos, o Brasil registrou 16 mil casos de mpox concentrados nos grandes centros urbanos e dois óbitos de pessoas que possuíam o sistema imunológico severamente fragilizado pelo HIV. Mas o reforço a boas práticas de saúde e cuidados preventivos são essenciais para a não proliferação da doença”, explicou Roveri.
Sobre a mpox
De acordo com o infectologista, a mpox é uma infecção viral causada por um vírus da mesma família da antiga varíola. O nome tem origem na expressão inglesa ‘monkeypox’, associada aos primeiros surtos registrados na África, na década de 1950. Apesar do nome (que, em tradução livre, significa “varíola do macaco”), a transmissão atual ocorre principalmente entre pessoas, por meio de contato direto e prolongado com lesões, secreções ou superfícies contaminadas.
Segundo Roveri, a doença não se espalha com facilidade no contato casual do dia a dia. Na maioria das situações, a transmissão acontece em contatos mais próximos e íntimos.
Sintomas e evolução da doença
Entre os principais sintomas da mpox, segundo o infectologista, estão febre, mal-estar, dores no corpo e aumento dos gânglios (ínguas). Esses sinais podem aparecer na fase inicial da infecção e são semelhantes aos de outras doenças virais, o que muitas vezes gera confusão no diagnóstico.
Após alguns dias ou em até duas semanas, podem surgir lesões na pele que lembram catapora. Elas começam como manchas avermelhadas, evoluem para pequenas elevações e depois formam bolhas com conteúdo que pode se romper, criando crostas até a cicatrização completa.
Quando procurar atendimento
A recomendação do médico é que qualquer pessoa com febre, mal-estar ou lesões suspeitas busque avaliação em uma unidade básica de saúde para análise adequada do quadro.
“Entre as formas de prevenção estão a higiene frequente das mãos, evitar contato direto com lesões ou secreções e o uso de preservativo nas relações sexuais. Embora exista vacina contra o vírus, as doses disponíveis no país são limitadas e, atualmente, destinadas a grupos específicos com maior risco”, sinalizou o médico.
Durante o evento, o infectologista também tirou dúvidas dos participantes a respeito de outras doenças e deu orientações sobre protocolos voltados a cuidados de saúde de alunos da rede pública de ensino.
Publicado em: 20/03/2026 15:47:33