O Plenário da Câmara Municipal recebeu a Mesa Redonda “Mulher: trabalho e saúde integral”, organizada pela Escola do Legislativo (EL) da Casa de Leis e mediada pela vereadora Thainara Faria, na tarde de quinta-feira (22). A coordenadora municipal da Agricultura, Silvani Silva, abriu a discussão com o tema “Relações sociais de gênero e violência no campo e na agricultura familiar”, frisando: “não podemos esquecer que poder tem por base o medo, já a autoridade, o respeito. O empoderamento da mulher passa pelas questões econômicas também”. Silvani destacou os dilemas e problemas que as mulheres enfrentam no campo. “Desde cedo, elas são domesticadas para não atribuir valor ao seu trabalho. Elas apenas ajudam em casa, são excluídas dos processos de produção agropecuária. Ser jovem rural e mulher significa um grau inferior na hierarquia familiar. Elas ocupam um lugar invisível, são criadas para cuidar da casa e são excluídas da herança.” Segundo a coordenadora, “ou fazemos esse enfrentamento, revelando a posição da mulher, ou continuaremos reproduzindo o que vemos hoje em dia. As mulheres do meio rural não denunciam seu sofrimento. Há violência no campo, mas é tudo mais silencioso. A mulher precisa conhecer os seus direitos e denunciar”. Em seguida, a psicóloga e presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Mariana Tezini, trouxe o tema “Maternidade e identidade”. Ela explicou que a maternidade passa a ser uma opção na vida das mulheres a partir do surgimento dos métodos contraceptivos e das campanhas feministas que buscam recusar o determinismo biológico, tornando a aceitação ou não da maternidade uma escolha reflexiva. “Houve a separação definitiva entre sexualidade e reprodução. Porém, a realidade entre mulheres pobres não é tão simples. O acesso falho à informação e a métodos contraceptivos, questões culturais, machismo nas relações amorosas e a impossibilidade de um aborto seguro são algumas das questões que cerceiam o poder de escolha dessas mulheres”, disse Mariana. De acordo com um dado por ela apresentado, há registro de queda no número de nascimentos de 5,1% de 2015 para 2016. Já a coach, consultora e empreendedora Ariadne Aranha falou sobre o tema “As mulheres em destaque no cenário empreendedor”. “A mudança vem de dentro para fora. Temos que nos reconhecer e questionar. A desigualdade foi naturalizada”, iniciou. Ariane mostrou diversos dados do estudo “As relíquias do lixão – mulheres catadoras e o engenhoso trabalho de cooperar e resistir”, como da divisão sexual do trabalho, a relação intrínseca entre gênero, raça, pobreza e trabalho precário; e também citou o cenário empreendedor de Araraquara, com o exemplo da Cooperativa Acácia, que nasceu em 2001, com 31 catadores do lixão. Hoje, são 160 pessoas, sendo 80% mulheres, negras e com baixa escolaridade; 90% tem filhos; 78% não completaram seus estudos; 60% não sabem ler ou escrever; e de 20 catadoras entrevistadas, apenas duas não exerceram algum tipo de trabalho na infância. “Muitas não acreditavam em suas capacidades e se surpreendem com as conquistas e desafios vencidos. Uma parcela dessas mulheres teve que enfrentar o medo para vencer o silêncio e conseguir bater nas casas dos moradores da cidade e gritar ‘co-le-ta’. Tiveram que ‘se virar’ para aprender a organizar o trabalho e a gerir um negócio”, diz o estudo. “A cooperativa é gerenciada como uma grande família, em que as questões sociais e as relações de proximidade são mais importantes que os ganhos econômicos. O modelo é sustentado por redes de proximidade e pelo empoderamento e politização das lideranças femininas”, completou Ariadne. “Empreender é ousar, é fazer acontecer, é acreditar, é lutar”, finalizou.
Também estiveram presentes o vereador Gerson da Farmácia, a coordenadora executiva de Políticas Públicas para Mulheres do município, Amanda Vizoná, e a coordenadora executiva de Direitos Humanos, Maria Fernanda Luiz.
Publicado em: 22 de março de 2018
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Categoria: Escola do Legislativo
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