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Maternidade(s) imperfeitas

Maternidades possíveis e seus desafios foram debatidos em Mesa Redonda promovida pela Câmara


Na noite da segunda-feira (8), os desafios da maternidade foram discutidos na Mesa Redonda “Maternidade: pandemia, exaustão materna e políticas públicas”, realizada pela Câmara Municipal de Araraquara e conduzida pela vereadora Fabi Virgílio (PT).

Como pano de fundo de todos os problemas enfrentados por quem é mãe, está a sociedade patriarcal, capitalista e tecnológica. Isso porque, quando falamos da criação de filhos, quase sempre pensamos em obrigações da genitora e não dos genitores. Quando as dificuldades se acirram na maior crise sanitária da história, a pandemia de Covid-19, as mulheres são as mais afetadas. “A pandemia exacerbou as questões referentes à desigualdade de gênero. Ainda que as tarefas sejam divididas, a gestão do lar fica por conta das mulheres”, explicou a socióloga Maria Teresa Manfredo.

O século XX foi determinante para a inserção da mulher no mercado de trabalho, porém suas tarefas no âmbito privado não foram reduzidas. Nesse sentido, além do imperativo da velocidade e da produtividade na vida pública, há ainda também a obrigação de cumprir um papel esperado na maternidade. Maria Teresa explica que existe uma construção do ideal de boa mãe, daquela que se coloca depois dos interesses do filho, e que é necessário rompê-la. “As visões estereotipadas negam a possibilidade da mãe de errar e fracassar. Existem diversas maternidades, mas essa ideia de uma maternidade perfeita gera sofrimento psíquico”, argumentou.

 

Supermães ou mães adoecidas?

Conciliar vida pública ativa e maternidade perfeita é uma tentativa frustrante e inalcançável que pode gerar vários distúrbios psiquiátricos. Depressão, síndrome de burnout, ansiedade, crises de pânico, dentre outros. Por isso, a vereadora Fabi Virgílio reforçou a importância do debate: “Eu não sou mãe, mas sei dos desafios que muitas companheiras enfrentam e, por isso, precisamos questionar o modo de ser mãe imposto. Existem várias maternidades, inclusive aquelas consideradas atípicas”, explicou.

A gestora do Centro Municipal de Referência do Autismo de Araraquara, Karina Maia, falou sobre os desafios das mães de filhos neurodivergentes, ou seja, indivíduos que possuem uma configuração neurológica atípica. De acordo com ela, muitas vezes, as mães se sentem e, em alguns casos, são responsabilizadas pelo diagnóstico de seus filhos. “Questionam como foi sua gravidez, se você bebeu, se fez alguma extravagância”, revelou.

Em outros momentos são taxadas de mães guerreiras, capazes de suportar todas as dores e dificuldades. Mas Karina alertou que essa romantização pode também ser responsável pelo sofrimento psíquico. “Nossas vidas não seriam mais fáceis se nossos filhos não tivessem deficiência, mas sim se a rede de suporte fosse mais forte”, enfatizou.

 

Autismo

As mães de crianças com autismo podem contar com o Centro Municipal de Referência do Autismo. "É um local onde as pessoas podem procurar informações sobre autismo e saber um pouco mais. Essas famílias todas têm acesso a essas informações, a esse acolhimento e a esse serviço. Lá, nos informamos como se fazem os encaminhamentos e temos uma equipe multidisciplinar, com fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo e neurologista. É uma luz no fim do túnel para as pessoas que lidam com essa questão", destacou a gestora.

Quem desejar entrar em contato, deve enviar e-mail para o endereço centrodoautismo@araraquara.sp.gov.br ou ligar para o número (16) 3335-9463, de segunda a sexta-feira, das 7 às 18 horas.

 

Frente das Mulheres

A Mesa Redonda faz parte dos trabalhos da Comissão Especial de Estudos denominada “Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos das Mulheres”, instituída pelo Projeto de Resolução nº 2/2021, que tem como objetivo incentivar, desenvolver e apoiar discussões e ações relacionadas às mulheres, bem como formular diretrizes e incentivar a promoção de políticas que visem a eliminar a discriminação em face das mulheres. A frente, composta pelas vereadoras Fabi Virgílio (PT) e Filipa Brunelli (PT) e pelo vereador Paulo Landim (PT), também visa a promover debates e audiências sobre a defesa dos direitos das mulheres, a condição da mulher brasileira e o combate às formas de discriminação.

O evento teve emissão de certificado pela Escola do Legislativo e transmissão ao vivo pela TV Câmara. Não pôde acompanhar? Confira na íntegra: 

 




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