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Audiência Pública apresenta Programa de Estímulo às Startups

Debate convocado pela Frente Parlamentar da Inovação e Tecnologia aconteceu na tarde de segunda-feira (8)  

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Na tarde de segunda-feira (8), o Plenário da Câmara Municipal de Araraquara recebeu a Audiência Pública “Apresentação do Programa de Estímulo às Startups”, abrindo a programação da Semana de Inovação e Empreendedorismo Biotecnológico e Químico de Araraquara (SIEBioteQ), criada pela Lei Municipal n° 11.828/2026.

 

O debate foi convocado pela Comissão Especial de Estudos – Frente Parlamentar da Inovação e Tecnologia, composta pelas vereadoras Fabi Virgílio (PT) e Maria Paula (PT) e pelo vice-presidente do Legislativo, vereador Michel Kary (PL).

 

“Estamos falando de pesquisas que estão há dez anos acontecendo na cidade. Falar de fomento e incentivo é extremamente importante. E Araraquara sai na frente porque ela tem sido muito inovadora, desde o final da década de 1990, quando se começa a pensar a incubadora, que vai ganhando outras formas, vai sendo encorpada e ela é uma parte importante desse setor que gira a economia de inovação e tecnologia”, pontuou Fabi, presidente da Comissão.

 

A diretora de Desenvolvimento Regional e Territorial, Mariana Piaia, representando a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, abordou o Programa Estadual de Desenvolvimento das Cadeias Produtivas Locais (CPLs), o SP Produz.

 

“Esse programa é um redesenho de um antigo programa com que muitos devem estar familiarizados, que era dos arranjos produtivos locais (APLs). É um programa supertradicional, existe em outros estados, existe no Governo Federal e basicamente é uma ideia de pegar um setor e tentar incrementá-lo”, explicou.

 

Mariana colocou que, mesmo São Paulo sendo um estado privilegiado quando se pensa em parâmetros de Brasil e de América Latina, enfrentam-se uma série de dificuldades. “Temos dentro do estado uma grande desigualdade. Então pensamos como podemos pegar essa ideia de arranjo produtivo local e pensar em um sentido mais de agregação de valor. Viemos para esse conceito de cadeia produtiva local, que é adicionar valor ao que está sendo produzido no próprio território. Refizemos esse programa pensando em dar a ele mais credibilidade.”

 

Cadeias Produtivas Locais

Uma cadeia produtiva local (CPL) é uma concentração territorial de empresas e instituições em um mesmo setor ou segmento que atuam de forma interdependente. “Dentro do programa SP Produz, entendemos que isso deve se dar por meio de uma governança estruturada em que conseguimos identificar que esses atores estão cooperando. Temos a figura da entidade gestora, que é a institucionalização dessa governança estruturada, que vai coordenar esse planejamento estratégico dessa CPL, esses projetos.”

 

Critérios

Mariana detalhou que há uma série de critérios para o reconhecimento das cadeias produtivas locais. “Fazemos um chamamento público do reconhecimento e também do fomento por meio da plataforma SP Produz para dar transparência e confiabilidade, uma mudança grande. Não tratamos o território e essa organização territorial como algo homogêneo. Entendemos que cada uma dessas organizações, de cada uma dessas cadeias produtivas, está em um estágio que chamamos de maturidade e cada uma delas necessita de um olhar diferente por parte do Estado.”

 

“Outra questão aqui é que, em vez de ficarmos criando uma série de programas, tentamos ver o que já temos. Já temos uma série de programas no estado e encaixamos esses programas já existentes para esses diferentes graus de maturidade. Damos uma organização da oferta do serviço público para essas cadeias produtivas locais”, completou.

 

O objetivo, segundo a diretora, é a geração de emprego e renda, melhorando a competitividade das empresas envolvidas. “O fomento é um dos serviços e é um desses passos para ajudarmos o desenvolvimento dessas cadeias produtivas locais. Então damos o famoso recurso a fundo perdido [recurso que não precisa ser devolvido].”

 

Números

De acordo com Mariana, em 2024, foram 117 cadeias produtivas inscritas e 95 foram reconhecidas, distribuídas em diferentes graus de maturidade. “Em 2025, pulamos para 213 inscritas, com 110 reconhecidas.”

 

Programa de Estímulo às Startups

Trazendo para o município, a gerente de Desenvolvimento Econômico, Kelli Cristina Dall'Acqua, representando o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Gerson Roza de Freitas, afirmou que o Programa de Estímulo às Startups surgiu com o objetivo de incentivar o crescimento das startups e manter a expertise no município, “porque nós temos grandes universidades formando grandes profissionais e, sem oportunidades, esses profissionais muitas vezes vão embora e a nossa cidade fica desfavorecida”.

 

“No programa, a Prefeitura, por meio de fomento econômico, de subvenção econômica, oferta ajuda financeira para que as startups desenvolvam os seus projetos. Já recebemos inscrições de projetos fora de série e é um sucesso. Vendo esse sucesso, a importância do programa, o governo tem se empenhado bastante em dar continuidade e ampliar isso, tanto é que agora vamos ter a ampliação da incubadora de empresas e, para o próximo semestre, provavelmente vamos lançar mais um edital”, reforçou.

 

Já a head de Inovação da Incubadora de Empresas de Araraquara, Geralda Cristina Ramalheiro, informou que a maioria das empresas apoiadas pelo programa das startups hoje estão conectadas com outras CPLs da região. “Algumas empresas que não estão ainda sendo beneficiadas, que vão concorrer, também já estão conectadas. Grande parte dessa conexão veio por conta do programa, que apoiou e estimulou o desenvolvimento das soluções. É um resultado que não temos mensurado ainda, pois o programa precisa ser estudado, é novo, mas já trouxe grande impacto para posicionar Araraquara e fazer com que ela estivesse conectada dentro do estado.”

 

Geralda apontou ainda que muitos empreendedores que foram apoiados pelo programa são beneficiados por outras políticas públicas. “Fizemos o monitoramento da CPL no trimestre passado e conseguimos comprovar que as nossas empresas conseguiram mais de R$ 3 milhões de fomento para o seu desenvolvimento. “Todas são startups de ciência, elas não estão faturando, não estão ainda vendendo produtos, elas vendem serviço, e a empresa precisa ter o financiamento da inovação ali colocado. Esse edital permitia liberdade para complementar aquilo que os outros editais não tinham e permitia que a empresa conseguisse ainda desenvolver a pesquisa tendo resultado para buscar outros editais de fomento.”

 

“É um edital que permite muitas vezes o início para o desenvolvimento de uma tecnologia. Ele acaba tendo a inovação como propulsor do desenvolvimento local. É um edital que foi modelo, foi copiado por outros municípios. Araraquara foi pioneira ao lançar esse programa, porque é como se fosse uma agência local. Temos a estadual, a federal, mas local não tínhamos”, enfatizou.

 

A profissional reforçou que é uma iniciativa de longo prazo. “Uma tecnologia que é apoiada por esse edital vai demorar 5, 6, 7 anos para conseguir ser lançada no mercado. Demora porque tem todo um regulatório, são pesquisas inovadoras, muitas vezes não tem ainda nenhum respaldo da legislação para lançar, mas que é o que vai permitir o desenvolvimento.”

 

Segundo ela, o diferencial é que a empresa apoiada tem que ficar em Araraquara, fortalecendo o vínculo com o local. “Além disso, é uma política pública que foi pensada no modelo da participação, tanto é que a sociedade civil participa das comissões tanto de seleção quanto de monitoramento. E tem uma escuta sobre o que melhorar e o que mudar dentro do edital para que ele continue acompanhando as tendências.”

 

“Só conseguimos ser reconhecidos no edital do SP Produz por conta das empresas que haviam sido apoiadas que continuavam sobrevivendo, porque tínhamos um problema muito grande das empresas, muitas não conseguiam se manter para além do fomento público. Foi um mecanismo de apoio que permitiu a constituição e o fortalecimento do nosso ecossistema”, completou.

 

O que é o programa?

Geralda explicou o programa é público e vive de projetos. São vários chamamentos públicos, de acordo com o ciclo de vida, que vão fomentar o conhecimento, a inovação, a tecnologia e o negócio dentro de Araraquara. “Ele vai estimular os ambientes de inovação. Tanto é que um dos critérios é ‘fui escolhido, vou participar do chamamento, vou receber o apoio, tenho que estar vinculado com o ambiente de inovação porque isso vai fortalecer a integração. Então ele é um programa que olha para o município, tudo aquilo que tem dentro da vocação e potencializa. Ele vai promover o desenvolvimento econômico e social.”

 

Detalhou, ainda, que outro critério é se há impacto negativo na sociedade. Se houver, o projeto não será apoiado. “Então tenho que reduzir a pegada de carbono, o nível de contaminação e melhorar a qualidade de vida.”

 

Como funciona

O programa tem um comitê que vai assistir as startups, selecioná-las e fornecer apoio. “[O comitê] vai escutar a startup e vai entender do que ela precisa, onde precisa testar o produto, informação e conexão. Esse comitê, no primeiro momento, seleciona as empresas, depois se faz o subcomitê de acompanhamento e se dá todo o suporte para que essa startup consiga lançar a solução.”

 

Pontuou que o fomento é uma parte, mas a rede que vem dentro do comitê é uma outra parte tão importante quanto. “Tem um fundo municipal de apoio que também é inovador porque ele é abastecido com parte da arrecadação direcionada pelo IPTU. Pode ter aportes mais direcionados. O desafio é fazer esse fundo ser alimentado, fazer com que a roda continue girando e aí precisa de uma maior divulgação, de uma maior sensibilização, de uma campanha que de fato mostre os efeitos.”

 

Governança e acompanhamento

As startups são monitoradas por reuniões semestrais, relatórios técnicos e financeiros, análises documentais, visitas técnicas, deliberação do comitê, e avaliação por TRL (nível de maturidade tecnológica, escala criada pela Nasa para avaliar tecnologia), impacto econômico, social e ambiental.

 

Retenção de talentos

Geralda também falou sobre a atração e retenção de talentos. “Muitas das empresas que foram selecionadas pelo programa estão em Araraquara, mas eram de empreendedores que não estariam aqui hoje se não fosse esse programa. Além de muitos pesquisadores que estavam na universidade, formalizaram a empresa, ficaram em Araraquara, porque muitas vezes vêm para cá para fazer o mestrado, doutorado e depois não continuam. Então esses são objetivos que a política pública conseguiu manter e cumprir.”

 

Impactos para Araraquara

Finalizando, Geralda resumiu que o programa contribui para o fortalecimento do ecossistema de inovação, geração de conhecimento aplicado, atração e retenção de talentos, integração universidade-empresa, fortalecimento da incubadora, desenvolvimento econômico local e criação de soluções tecnológicas de interesse público e privado.

 

Encaminhamentos

Ao final, Fabi pontuou os próximos passos após a Audiência Pública, entre eles estudar alternativas sobre metas de substituição de insumos e possibilidades que têm sido divulgadas em outros municípios, inclusive em outros países. “Trata-se de que alternativas e rumos podemos pensar para a agricultura regenerativa para os solos. E também temos o compromisso de o edital sair agora, muito provavelmente no segundo semestre.”

 

Também participaram da discussão o gerente executivo da Incubadora de Empresas de Araraquara, Ricardo Bonotto; o coordenador do Centro de Exposições, Inovação e Cultura (Ceic) do Instituto de Química da Unesp, Gustavo Mattar; e a professora do IFSP Renata Maria Porto Vanni.

 

Sobre a Semana

Em sua primeira edição, a SIEBioteQ pretende fortalecer e incentivar a criação de novos negócios de alto impacto e estimular a aproximação da população com o universo científico, uma vez que Araraquara reúne em seu território centros de pesquisa consolidados, universidades, laboratórios, startups de base tecnológica e a reconhecida Cadeia Produtiva Local de Química e Biotecnologia (CPL IQBiotec).

 

Programação

Confira mais atividades previstas para a Semana, que segue até 20 de junho:

11/06 (quinta-feira), às 14 horas: Visita ao Centro de Ciências de Araraquara (CCA)

Visita guiada ao Museu de Ciências – Na trilha das Mulheres na Ciência

Local: Avenida Dr. Bernardino Arantes de Almeida – Jardim Ártico – Araraquara – SP

Informações: (16) 3322-4812/e-mail: cca.iq@unesp.br

 

20/06 (sábado), das 9 às 18 horas: Ideathon Sebrae Startups – Maratona de Ideação

Local: Núcleo de Inovação, Tecnologia e Empreendedorismo (NITE) – Uniara

Rua Carlos Gomes, nº 1.338 – Centro – Araraquara-SP

 

Como rever

A Audiência Pública pode ser conferida na íntegra no Facebook e no YouTube da Câmara.


Publicado em: 10 de junho de 2026

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Categoria: Câmara

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