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Após a sanção da lei que instituiu, em Araraquara, o Dia das Liberdades Pretas, a autora da iniciativa e vice-presidenta da Câmara Municipal, vereadora Thainara Faria (PT), assim como a ativista social e artista Preta Ferreira, que motivou a propositura, se reuniram com vereadores da cidade e também de outros municípios da região. A ideia é que a iniciativa se estenda e alcance todo o Brasil.
Pela manhã da quarta-feira (26), o encontro ocorreu na sala da Presidência e contou com o presidente do Legislativo Municipal, Aluisio Boi (MDB), as vereadoras Fabi Virgílio e Filipa Brunelli, ambas do PT, além da assessora especial de Políticas LGBTQIA+ da Prefeitura, Erika Matheus. Durante a tarde, Thainara e Preta estiveram com os vereadores Neto Negri (PT - Rincão) e Thaise Braz (PT - Catanduva).
Para Preta, o momento é de unir forças. “Precisamos fazer um intercâmbio entre as lutas para que a gente alcance lugares onde a cor da nossa pele não permite que a gente esteja. Precisamos pensar em como ‘reinserir’ em sociedade quem nunca foi inserido, criar essas oportunidades de estudo, educação, ciência, política, saúde, de forma a garantir os direitos constitucionais”, afirmou. Boi se colocou à disposição para discutir políticas inclusivas para toda a população. “Não toleramos qualquer tipo de preconceito”, frisou.
Thainara reforçou que é preciso falar dos problemas para, então, propor soluções. “Vivemos um momento de negacionismo, e negar as opressões que nós, mulheres pretas, vivemos é reforçar toda a lógica política e institucional racista. Precisamos escancarar as violências vividas pelo povo preto para conseguirmos encontrar soluções.”
Centro de Referência da Mulher
Thainara e Preta também visitaram o Centro de Referência da Mulher de Araraquara, onde foram recebidas pela secretária de Planejamento e Participação Popular, Amanda Vizoná, pela coordenadora de Políticas Étnico-Raciais, Alessandra Laurindo, pelo coordenador de Direitos Humanos, Renato Ribeiro, pela assessora de políticas para a juventude, Steyce Chaves, pela fundadora da Casa Chama, Matuzza Sankofa, além de Érika e Filipa. Durante a reunião, foram discutidas políticas públicas voltadas para as mulheres, como, por exemplo, a distribuição gratuita de absorventes para mulheres em situação de vulnerabilidade.
Venda de livros
Preta Ferreira é autora do livro “Minha Carne: Diário de uma Prisão”, no qual estão relatados os longos dias de cárcere, os processos pelos quais passou, as etapas do sistema prisional, os trâmites jurídicos, as emoções que viveu e o que ouviu de outras mulheres com quem compartilhou esse tempo.
Nos próximos meses, a escritora deve voltar a Araraquara para fazer o lançamento da obra. A ideia é que os exemplares sejam distribuídos nos presídios de todo o Brasil. “As prisões brasileiras são máquinas de tirar os direitos constitucionais. As pessoas que foram retiradas da sociedade precisam saber de seus direitos, tê-los cumpridos, para, então, serem ressocializadas”, finalizou.
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