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O Plenarinho da Câmara de Araraquara recebeu na tarde de sexta-feira (17), o minicurso “Cannabis medicinal na atualidade: o que sabemos e o que não podemos prometer”, com a médica de família e estudiosa de produtos à base de cannabis Ana Paula Urdiales Garcia.
A atividade faz parte da programação da IV Semana Municipal em Defesa da Cannabis Medicinal “Antonio Luiz Marchioni – Padre Ticão” e foi aberta pela presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Cannabis Medicinal, vereadora Fabi Virgílio (PT).
Ana Paula iniciou explicando “o que tem na ‘mala’ de um prescritor”:
Evidência
Ana Paula reforçou que há todo um processo para a comprovação da eficácia de uma planta, como é o caso da cannabis, segundo o National Institute for Health and Care Excellence.
No caso da cannabis, há indicações com evidência consistente, de acordo com a Food and Drug Administration (FDA), dos EUA, para epilepsia refratária (síndromes de Dravet e Lennox-Gastaut), tratamento da espasticidade associada à esclerose múltipla e náusea e vômito induzidos por quimioterapia (manejo de sintomas relacionados a tratamento oncológico).
As indicações com evidência limitada, segundo a American College of Physicians, envolvem dor crônica (neuropática e nociceptiva), transtornos de ansiedade (condições de ansiedade generalizada e específica) e distúrbios do sono (insônia e outros transtornos). “Na prática, temos tido uma resposta boa para distúrbios do sono”, ressaltou a médica.
Sistema molecular complexo
Conforme explicou Ana Paula, a cannabis possui um sistema molecular complexo, composto por:
Desafio da padronização
A médica reforçou a variabilidade farmacêutica, ou seja, as diferenças físicas, químicas ou biológicas entre formulações de medicamentos (equivalência) ou na resposta do paciente (bioequivalência). De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), ela envolve:
Contraindicações relativas
Ana Paula fez alerta para o uso da cannabis em pacientes de alto risco, como idosos (farmacocinética alterada, polifarmácia, fragilidade), cardiopatas (risco arrítmico e hemodinâmico), pacientes em polifarmácia (interações medicamentosas múltiplas) e pacientes com insuficiência hepática (metabolismo comprometido). Para esses casos, há a necessidade de seleção criteriosa e monitorização intensiva.
O que pode ser oferecido?
A médica pontuou expectativas realistas:
O que não pode ser prometido?
Ana Paula também expôs limitações científicas:
Ela entende como importante considerar que a cannabis não substitui tratamentos convencionais estabelecidos, os resultados não são padronizados entre pacientes e não há uma evidência robusta para aplicações populares.
Encerrando, a médica enfatizou que prescrever cannabis exige mais conhecimento do que entusiasmo, já que conhecimento farmacológico profundo é essencial para prescrição segura e eficaz; a evidência científica deve superar expectativas e pressões comerciais na tomada de decisão; e a responsabilidade médica na avaliação de risco é fundamental para proteger o paciente.
Além disso, há a necessidade de formação técnica específica e contínua para profissionais de saúde, abordagem crítica e baseada em ciência em todas as decisões clínicas relacionadas e proteção do paciente como prioridade absoluta em todas as circunstâncias.
Também estiveram presentes o professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Unesp Araraquara André Gonzaga dos Santos, o assistente de Suporte Acadêmico da FCF Caio Perego e o doutorando da FCF Sven Zalewski.
Atividades
A primeira atividade ocorreu na noite de segunda-feira (13), no Plenário, com a Audiência Pública “A nova regulamentação da cannabis: avanços e desafios”.
Na quinta-feira (16), o Plenarinho recebeu o minicurso “Desmistificando o uso terapêutico da maconha”, com o doutorando da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Araraquara Sven Zalewski.
Já nesta quinta-feira (23), às 19 horas, tem lançamento do livro “Redução de danos e vínculos com usuários de drogas: a escuta do olhar de um palhaço”, do psicólogo e doutorando em Ciências Sociais Rafael Torres Azevedo, com mediação do professor Marcelo Tadeu Marin (FCF), no Anfiteatro Biblioteca da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (sala 18), na Rodovia Araraquara-Jaú, km 1.
O evento é uma realização da Frente Parlamentar em Defesa da Cannabis Medicinal da Câmara Municipal de Araraquara em parceira com a Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Unesp Araraquara.
Sobre a semana
A Semana Municipal em Defesa da Cannabis Medicinal “Antonio Luiz Marchioni – Padre Ticão” foi incluída no Calendário Oficial de Eventos de Araraquara e é realizada anualmente na terceira semana do mês de abril, em decorrência da comemoração do Dia Mundial da Maconha, o Pot Day. A Semana traz o nome do Padre Antonio Luiz Marchioni, o Padre Ticão, referência em trabalhos sociais na Zona Leste de São Paulo, defensor da população em vulnerabilidade social, ativista pela justiça e igualdade social e líder da luta pela legalização da cannabis medicinal.
Além disso, Padre Ticão também foi pároco em Araraquara, quando chegou, em 1978, à Paróquia de São Geraldo, para substituir o padre Armando Salgado.
A Semana busca reforçar a disseminação de informações sobre os benefícios da cannabis no tratamento de várias doenças, por meio de palestras, rodas de conversa, seminários, feiras e eventos culturais, dentre outros. A proposta é conectar especialistas, pesquisadores, médicos, associações, usuários da cannabis medicinal e interessados no assunto para troca de informações sobre resultados positivos de tratamentos, novas pesquisas e usos eficazes.
Vale destacar que os recursos necessários para atender às despesas com a execução da lei são obtidos mediante parcerias com empresas da iniciativa privada ou governamental, sem acarretar ônus para o Município.
IV Semana Municipal em Defesa da Cannabis Medicinal
Quinta-feira (23), às 19 horas, no Anfiteatro da FCF Unesp Araraquara: Lançamento do livro “Redução de danos e vínculos com usuários de drogas: a escuta do olhar de um palhaço”, de Rafael Torres Azevedo
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