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'Não vivemos em aldeias e isso é ótimo', diz professor em Colóquio Rodolpho Telarolli



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“Qual a contribuição que a antropologia pode ter nas questões urbanas. Não vivemos em aldeias e isso é ótimo porque preciso conviver.” Assim foi a palestra do professor de antropologia da USP de São Paulo, José Guilherme Cantor Magnani, que falou sobre “Cidade, etnografia e sociabilidade”, nesta sexta-feira à noite, no encerramento do Colóquio Rodolpho Telarolli”, na Chácara Sapucaia, em Araraquara.

 

Para o professor, que também coordena o Núcleo de Antropologia Urbana da USP, essa metodologia pode ser aplicada em Araraquara, uma cidade de médio porte, em que as pessoas têm seu circuito de lazer e trabalho. “Como lidar com essas relações todas dentro de uma cidade, esse é o desafio em meio a tanta diversidade.” Parte das relações estudadas pelo pesquisador estão em seu livro “Da periferia ao Centro – trajetórias da pesquisa em antropologia urbana”.

 

O Colóquio Rodolpho Telarolli” foi organizado pelo Grupo de Estudos e Pesquisa em Antropologia Contemporânea (Gepac) em parceria com a Escola do Legislativo de Araraquara, a Faculdade de Ciências e Letras, da Unesop, a Secretaria Municipal de Educação de Araraquara e a Chácara Sapucaia.

 

O objetivo do Colóquio foi homenagear o historiador araraquarense Rodolpho Telarolli, que faleceu em 2001 e que completaria 80 anos em 2013, além de resgatar a memória de Araraquara, sua formação e as condições históricas de surgimento. Rodolpho Telarolli se destacou por ser um pesquisador atento aos fatos históricos da cidade, responsável pela obtenção e pela conservação de importantes documentos do município.

 

O evento foi dividido em duas partes. À tarde, o jornalista Francisco de Assis Bergamin, falou sobre a experiência de escrever o livro “Máquina estranha que consumia água e carvão e cuspia fumaça: contribuições para a história da ferrovia em Araraquara”. “Para escrever usei diversos materiais ricos pesquisados pelo Rodolpho Telarolli que foi fundamental para me posicionar sobre os lugares que ele passou.”   Já o arqueólogo Robson Rodrigues, da Fundação Araporã, durante a fala sobre a “Presença e permanência das populações indígenas na região de Araraquara”, lembrou que a pesquisa de campo foi importante para descobrir quem habitou a cidade no passado. “Quando pensamos nas denominações indígenas pensamos no século dezoito, mas especificamente no ano de 1720, um marco para a região de Araraquara.”

 

Vladimir Bertapeli e Fábio do Espírito Santo Martins, mestrandos da Unesp, fecharam a mesa com a apresentação de um estudo sobre o termo "Araraquara".

 

À noite, foram apresentadas intervenções artísticas com alunos da Escola de Dança “Iracema Nogueira”. Na segunda mesa do dia, a mediadora foi a doutora Renata Medeiros Paoliello. O arquiteto e urbanista Francisco José Santoro, contou um pouco sobre a “Formação do espaço urbano em Araraquara”. “Muita coisa mudou com o tempo. As ruas, antigamente, tinham todo um charme e os pedestres tinham preferência. Hoje, não é mais assim”, conta Santoro citando que a única rua preservada é a Voluntários da Pátria, a rua cinco, enquanto mostrava uma foto da Rua São Bento, a três, cujas características eram semelhantes há ao menos cinco décadas.

 

Araraquara em fotos

A exposição fotográfica “Janelas do tempo e da memória” começou no dia 27 de outubro e terminou durante o evento. São fotos doadas por alunos da Faculdade de Ciências e Letras, da Unesp. As imagens foram digitalizadas com o objetivo de traçar a importância da preservação do patrimônio que se confunde com a preservação da memória da cidade. “As imagens retratam Araraquara da transformação e que há tempos ocupa os mesmos espaços suscitando o saudosismo dos moradores mais antigos”, diz a historiadora Tereza Telarolli.


Publicado em: 10 de novembro de 2013

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Categoria: Câmara

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