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No início de fevereiro, o vereador Enfermeiro Delmiran (PL) encaminhou um requerimento à Prefeitura solicitando informações sobre o planejamento e as medidas adotadas pela Administração Municipal diante do aumento de casos de dengue, além da preocupação com o sorotipo 3 do vírus.
“O sorotipo 3 do vírus da dengue (DENV-3) tem registrado aumento no país, especialmente nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Amapá e Paraná, causando preocupação entre especialistas devido ao potencial de infecções mais graves. São necessárias ações preventivas e de controle para evitar a propagação da dengue no município”, pontuou o parlamentar.
No documento, Delmiran perguntou qual é o planejamento atual da Prefeitura para enfrentar o aumento de casos de dengue no município e nas regiões vizinhas; quais medidas estão sendo adotadas para intensificar a fiscalização e eliminação de focos do mosquito Aedes aegypti em Araraquara; se há parcerias estabelecidas com outros municípios ou órgãos estaduais e federais para o combate à dengue e, em caso afirmativo, quais são essas parcerias e quais ações conjuntas estão sendo realizadas.
Indaga ainda qual é a estrutura disponível atualmente no sistema de saúde municipal para atendimento de casos de dengue; quais são os indicadores atuais de infestação pelo Aedes aegypti no município; e se há registros da circulação do sorotipo 3 do vírus da dengue (DENV-3) em Araraquara. Em caso afirmativo, ele questiona quais medidas específicas estão sendo adotadas para monitorar e controlar a disseminação desse sorotipo.
“É fundamental garantir a transparência das ações governamentais e assegurar que medidas eficazes estejam sendo tomadas para proteger a saúde da população”, colocou o vereador.
Em resposta, a Secretaria Municipal da Saúde informa que o Controle de Vetores tem como norte as diretrizes nacionais de prevenção e controle da dengue e as normas estaduais e orientações técnicas para vigilância e controle do Aedes aegypti.
Visita a imóveis e rotina casa a casa
Segundo a pasta, a vistoria chamada de “casa a casa” é uma ação executada pelo Controle de Vetores com o objetivo de identificar e controlar a presença de animais transmissores de doenças, como mosquitos e outros. “Essa atividade é fundamental para a prevenção de epidemias e para a promoção da saúde pública. Ao promover práticas preventivas, a ação contribui para a criação de um ambiente mais saudável a longo prazo, promovendo a responsabilidade coletiva na luta contra doenças transmitidas por vetores”, lê-se no documento.
Bloqueio – controle de criadouros
Atividade realizada em área delimitada com casos positivos de arboviroses. “É uma estratégia de saúde pública voltada para o combate à proliferação de mosquitos vetores de doenças, como o Aedes aegypti, que transmite dengue, zika e chikungunya. O principal objetivo dessa atividade é a contenção da disseminação da doença, eliminando os possíveis criadouros, reduzindo assim o risco de surtos e epidemias. Conforme preconizado, para cada caso suspeito ou positivo de arboviroses, deverá ser realizado o trabalho de bloqueio - controle de criadouros, em um raio de 200 metros do endereço do doente. Todos os imóveis da área de transmissão deverão ser vistoriados dentro do prazo de 7 dias, com uma pendência máxima de 15% (número de imóveis fechados) para solicitação de inseticida ao Estado, para posterior realização da atividade de bloqueio – nebulização.”
Bloqueio - nebulização (com maquinário costal)
Realizada em situações de circulação viral, em casos confirmados por exames laboratoriais ou clínico-epidemiológicos ou quando houver o adensamento de suspeitos. “Trata-se de aplicação de inseticida com maquinário costal, nos imóveis localizados na área de transmissão trabalhada previamente no bloqueio - controle de criadouros. Essas medidas de controle baseiam-se em duas vertentes: a redução de alados infectados através das atividades de nebulização espacial e a redução de criadouros.”
Visita a imóveis cadastrados - Imóveis Especiais (IE)
Refere-se a estabelecimentos com grande circulação de pessoas, como escolas, hospitais e centros comerciais, localizados em áreas densamente populosas. “Esses locais são considerados potenciais disseminadores do vírus DENV, uma vez que a alta circulação de pessoas aumenta o risco de contaminação. Incluem locais como shoppings, mercados e áreas de lazer. O monitoramento regular desses espaços é crucial para prevenir surtos, sendo essencial a colaboração de gestores e funcionários para garantir a eliminação de possíveis criadouros. Os Imóveis Especiais são visitados por equipes específicas, com periodicidade bimestral, conforme estabelecido nas diretrizes.
Visita a imóveis cadastrados - Pontos Estratégicos (PE)
São definidos como imóveis que armazenam um grande volume de materiais que podem acumular água, tornando-se criadouros do Aedes aegypti. Exemplos incluem empresas de reciclagem, depósitos de materiais de construção e oficinas mecânicas. “O tratamento eficaz desses pontos é imprescindível para a contenção da proliferação do vetor. Os imóveis cadastrados como Pontos Estratégicos são visitados por equipe específica, com periodicidade quinzenal.”
Vigilância entomológica: Avaliação de Densidade Larvária (ADL)
É um método utilizado para medir o índice de infestação de mosquitos, especialmente Aedes aegypti, em todas as áreas do município. “Essa atividade amostral é trabalhada em imóveis sorteados pelo sistema Sisaweb, fornecendo indicadores de infestação e principais criadouros para direcionamento das prioridades de ações.”
A Secretaria detalha a importância desse método: monitoramento (ajuda a identificar áreas com alto potencial de infestação de mosquitos); prevenção (permite que as autoridades de saúde adotem medidas de controle antes que a população de mosquitos aumente significativamente); planejamento (auxilia na elaboração de estratégias de intervenção e campanhas de conscientização para a população); e avaliação de resultados (permite verificar a eficácia das ações de controle já implementadas.
“Em resumo, a avaliação de densidade larvária é uma ferramenta essencial para o controle de doenças transmitidas por mosquitos, contribuindo para a saúde pública.”
Atividades educativas e de mobilização social
“A equipe de Instrução, Educação e Comunicação (IEC) é fundamental para o sucesso das iniciativas de controle de vetores. Essa equipe tem a responsabilidade de promover campanhas educativas e de mobilização da comunidade, relativas à prevenção e ao controle de doenças e agravos à saúde; realizar palestras, workshops e distribuição de material informativo para a população, visando a conscientizar sobre a importância da prevenção contra a dengue e outros agravos transmitidos pelo Aedes aegypti; desenvolver materiais informativos (produção de cartilhas, folhetos e conteúdos digitais que esclareçam a população sobre como eliminar criadouros e adotar medidas de prevenção em seus lares); e mobilização social (envolver a comunidade em ações coletivas de combate ao mosquito, promovendo um senso de responsabilidade”, detalha a pasta.
“A prevenção é uma estratégia essencial para o controle dos mosquitos transmissores de doenças. A conscientização da população sobre práticas seguras e a eliminação de focos de água parada são determinantes para reduzir a incidência de epidemias, como da dengue. Neste sentido, a administração municipal intensificou as ações de combate ao Aedes aegypti, com vistoria casa a casa, com apoio de cooperativa e caminhões em todas as atividades para eliminação de materiais que possam servir de possíveis criadouros de mosquitos transmissores de doenças ou servir de abrigo para animais peçonhentos; atividades educativas e de mobilização social, com palestras, participação em eventos, Sipats e outros, envolvendo todas as esferas da comunidade e todas as faixas etárias.”
A Secretaria diz que as ações estão sendo realizadas durante a rotina, aos sábados e horários estendidos, visando adentrar no maior número de imóveis possíveis e atingir o maior número possível de pessoas.
Projeções epidemiológicas e índice de periculosidade
De acordo com a pasta, as arboviroses (dengue, zika, chikungunya, dentre outras) são doenças de notificação compulsória. “Todos os casos suspeitos e/ou confirmados de qualquer arbovirose são lançados no sistema Sinan, e a Vigilância Epidemiológica realiza o monitoramento dos casos, busca ativa de casos suspeitos e, após a conferência dos dados das notificações, faz o direcionamento à equipe de Controle de Vetores, para ciência e realização de bloqueio.”
A Vigilância Epidemiológica monitora constantemente a situação epidemiológica por meio de estudos e projeções baseados nos indicadores locais. “Embora o aumento de 136% em relação ao ano anterior seja alarmante, a situação atual do município é de alerta e medidas preventivas seguem sendo intensificadas. Além disso, o Controle de Vetores realiza quatro vezes ao ano a Avaliação de Densidade Larvária (ADL) – janeiro, abril, julho e outubro – e Vigilância Entomológica, para monitoramento da infestação do vetor, Aedes aegypti. O resultado obtido na atividade realizada em outubro de 2024 foi de 2.8; o aceitável é menor que 1.”
Sorotipos em circulação
A Secretaria afirma que, em 2024, o município registrou a circulação de DENV 1 e DENV 2 simultaneamente. Também foram registrados um caso de DENV 3 (importado), nove casos de chikungunya e um de zika vírus.
Em 2025, foi registrada, até o momento, a circulação de DENV 1, 2 e 3, sendo, em sua grande maioria, de DENV 2.
Estrutura de atendimento e Dengário
A pasta garante que a estrutura de saúde municipal se encontra preparada para atender o aumento na demanda, com reforço nas unidades básicas e nas UPAs. Além disso, o dengário tem como objetivo principal reduzir a sobrecarga nas demais unidades de saúde, permitindo um atendimento mais ágil e qualificado.
A Prefeitura reforça ainda que a vacinação contra a dengue para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos está disponível em todos os polos de vacinação do município. Mais informações podem ser obtidas nos canais oficiais da Secretaria Municipal da Saúde.
E aí, vereador?
Delmiran entende que a resposta demonstra que a Prefeitura tem adotado diversas ações estratégicas para o enfrentamento do aumento dos casos de dengue, seguindo protocolos nacionais e estaduais. “O trabalho das equipes de Controle de Vetores, Vigilância Epidemiológica e Atenção Básica tem sido essencial nesse combate, com visitas a imóveis, bloqueios de criadouros, nebulização e atividades educativas.”
No entanto, para o vereador, diante do aumento expressivo de casos, é fundamental ampliar as equipes para garantir maior cobertura e agilidade nas ações preventivas e de controle da doença. “A estrutura de atendimento, incluindo o Dengário e reforços nas unidades de saúde, tem sido uma medida importante, mas pode ser fortalecida para evitar a sobrecarga do sistema.”
Para ele, um dos maiores desafios hoje é a conscientização da população. “Ainda há uma parcela da sociedade que não adota os cuidados necessários para eliminar criadouros do mosquito Aedes aegypti, o que compromete os esforços coletivos. A luta contra a dengue não é apenas do poder público, mas de toda a comunidade. Cada morador tem um papel essencial na prevenção e, sem essa colaboração, as medidas adotadas não alcançarão seu potencial máximo.”
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