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Apicultores garantem que matança de abelhas continua



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Na quinta-feira (29), o vereador Edio Lopes (PT) se reuniu no Plenarinho da Câmara Municipal com um grupo representativo de apicultores da cidade, que pedem urgência na tramitação do projeto de lei que proíbe a pulverização aérea de agrotóxicos na cidade. Conforme informações dos criadores de abelhas, está havendo massiva mortandade de abelhas e também de outros animais. Os produtores relataram morte de galinhas d’angola, peixes, pássaros e abelhas, em propriedades cercadas por cana-de-açúcar. “Existe uma distância mínima para pulverização que não está sendo respeitada. Se não proibir logo essa pulverização de veneno, nada vai acontecer, porque não há fiscalização”, afirma um produtor rural. Os apicultores relataram suas perdas. “Depois da pulverização, de 90 enxames, só sobraram 27. Tem que proibir a pulverização aérea, porque eles sobrevoam até a nascente, não tem fiscalização." “Um dia desses, tive que escapar da chuva de veneno, só deu tempo de entrar na caminhonete, que ficou branca por causa do agrotóxico”, relatou outro apicultor, que perdeu cerca de 400 enxames após a pulverização. Desolados, pequenos produtores também descrevem, um a um, seus constantes prejuízos. “Os frutos não vingaram mais depois que começaram essas pulverizações, e o que tinha morreu tudo: abacate, laranja baiana, tangerina, caqui, mamão, as hortas. Perda total." Um criador de peixe viu substâncias oleosas nos tanques após a aplicação de agrotóxico, e os peixes agonizaram e morreram. “Além disso, a gente não vê mais codorna, juriti, muitos passarinhos sumiram." Na reunião, foi discutido, também, o colapso das colmeias que já está atingindo a região. A mortandade de abelhas, batizado de Colony Collapse Disorder (CCD), foi identificado inicialmente nos Estados Unidos e Europa, justificando a proibição de inseticidas da classe dos neonicotinoides e da prática de pulverização aérea em toda a União Europeia. De acordo com pesquisas de Osmar Malaspina, professor do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro (SP), inseticidas desta mesma classe estão relacionados à matança de abelhas na região. Os neonicotinoides funcionam como neurotoxinas que interferem no sistema nervoso dos insetos, prejudicando o olfato e a memória, elementos essenciais para a manutenção das colmeias, como mostram inúmeras pesquisas recentes. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), as abelhas, sobretudo as silvestres, polinizam 71 de pouco mais de 100 culturas que respondem por 90% da oferta global de alimentos. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) chegou a comprar uma briga - desigual - com a indústria dos agrotóxicos, ao proibir temporariamente a aplicação de quatro inseticidas em lavouras que recebem insetos polinizadores: fipronil (um pirazol) e três neonicotinoides, imidacloprido, clotianidina e tiametoxam, mas perdeu a queda de braço quando acossado pelo poderoso lobby do agronegócio, que conseguiu a liberação da pulverização aérea dos quatro agrotóxicos novamente. Com o objetivo de resolver o problema no âmbito local, o vereador Edio Lopes apresentou projeto de lei visando proibir a pulverização aérea. A medida está sendo combatida por setores do agronegócio, que vem fazendo frente aos parlamentares. “Vamos continuar nosso trabalho de esclarecimento e procurar garantir a aprovação do projeto. É dever do parlamento legislar sobre assuntos de interesse local, visando a proteção do meio ambiente, da saúde, da vida e do trabalho dos munícipes. O princípio da precaução está sendo atropelado, temos que corrigir isso”, afirmou Edio Lopes. “Em relação aos apicultores, especificamente, é preciso garantir que recuperem sua fonte de renda e continuem lutando para salvar as abelhas da extinção."

 

Assessoria de gabinete do vereador Edio Lopes (PT)


Publicado em: 02 de abril de 2018

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Categoria: Câmara

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