Notícias



Criação da Semana de Direitos Humanos ‘Luiza Augusta Garlippe’ é aprovada na Câmara

Iniciativa, da vereadora Fabi Virgílio (PT) e do vereador Guilherme Bianco (PCdoB), faz homenagem a araraquarense morta durante a ditadura militar

1763


Projeto de lei aprovado pela Câmara institui e inclui no calendário de eventos do município a Semana Municipal de Direitos Humanos “Luiza Augusta Garlippe, a Tuta”. A iniciativa é da vereadora Fabi Virgílio (PT) e do vereador Guilherme Bianco (PCdoB). O texto, agora, irá para sanção do prefeito Edinho Silva (PT).

 

A semana municipal, a ser comemorada anualmente na segunda semana de dezembro, tem como objetivo promover, difundir e fomentar os direitos humanos. A data pode ser celebrada com reuniões, palestras, seminários, eventos e diversas ações educacionais, culturais e inter-religiosas.

 

Durante a Sessão Ordinária da última terça-feira (16), quando a proposta foi aprovada, a Tribuna Popular foi utilizada por Luiz Armando Garlippe, sobrinho da homenageada e gerente de Reabilitação na Secretaria Municipal de Saúde. Ele falou sobre o histórico de Tuta e fez a defesa do projeto.

 

A araraquarense Tuta Garlippe era militante crítica contra a ditadura militar no Brasil (1964-1985). Segundo a Comissão da Verdade do Estado de São Paulo, ela foi perseguida pelo regime e passou a viver na região do Rio Gameleira, próximo ao Rio Araguaia (fronteira entre Pará, Maranhão e o atual estado do Tocantins).

 

Tuta foi vista viva pela última vez em 25 de dezembro de 1973. Investigações posteriores registraram que a araraquarense foi morta em junho de 1974, aos 32 anos de idade, no episódio conhecido como Guerrilha do Araguaia.

 

“O que justifica matar uma enfermeira que fazia um trabalho tão importante para aquela população? O quão violenta ela era? Em nada, ela era violenta. A semana de direitos humanos premia e dá o nome de uma filha de Araraquara que foi a última, junto com a companheira Dina, a cair naquela guerrilha em 1974. Em nome da minha família, eu agradeço”, afirmou o sobrinho de Tuta.

 

Fabi destacou que 10 de dezembro é a data em que se comemora o Dia Internacional dos Direitos Humanos. Nesta data, em 1948, foi proclamada pela Organização das Nações Unidas (ONU) a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

 

“São os Direitos Humanos que nos protegem da barbárie do passado para a evolução dos direitos de existência. Falar de Direitos Humanos é garantir que o assombroso passado de injustiças não volte a sucumbir a humanidade. Falar de Direitos Humanos é falar de liberdade, do princípio da indivisibilidade, princípio da interdependência e da inalienabilidade. E poder homenagear Luiza Augusta Garlippe, a Tuta, é poder enaltecer o avanço dos Direitos Humanos, honrar sua história e reafirmar nosso pacto civilizatório”, disse a vereadora.

 

Bianco também enalteceu a militância de Tuta. “Nós, que acreditamos no mundo democrático, sem fome e justo, que acordamos todos os dias na disposição de transformar a nossa realidade, temos como referências pessoas como a Tuta, que deram seus últimos suspiros em defesa daqueles que acreditavam, daqueles que lutavam”, afirmou o parlamentar.

 

Homenageada

Luiza Augusta Garlippe estudou até o fim do curso científico em Araraquara e mudou-se para São Paulo para cursar enfermagem na Universidade de São Paulo (USP), formando-se em 1964. Em seguida, passou a trabalhar no Hospital das Clínicas, chegando a enfermeira-chefe do Departamento de Doenças Tropicais, assunto em que se especializou. Participava da Associação dos Funcionários do Hospital das Clínicas, distribuía panfletos e organizava seus colegas de trabalho.

 

Tuta se destacou na luta pela democracia. Com sua militância crítica contra a ditadura, ela se juntou ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Ela começou a ser perseguida pelo regime e, na iminência de ser capturada, foi obrigada a sair do estado de São Paulo para a região norte do Brasil.

 

Com seu companheiro, Pedro Alexandrino (desaparecido em 4 de agosto de 1974), foi viver na região do Araguaia, onde desenvolveu intenso trabalho relacionado à saúde, destacando-se como parteira.

 

Um relatório do Ministério do Exército, de 1993, afirma que Tuta era “[…] considerada desaparecida desde 5/74”. Outro relatório, do Ministério da Marinha, diz que teria sido “[…] morta em junho/74”.

 

Em entrevista dada à Revista Playboy de dezembro de 2006, o tenente-coronel

 

Sebastião Rodrigues de Moura, o major Curió, afirmou ter assassinado as guerrilheiras Dinalva Teixeira e Luiza Augusta Garlippe.

 

Já em depoimento feito no livro “Mata! O Major Curió e as Guerrilhas no Araguaia”, do jornalista Leonencio Nossa, o oficial oferece outra versão, afirmando que as entregou vivas ao chefe do Centro de Triagem e Informações, o tenente-coronel Léo Frederico Cinelli.

 

Outra possibilidade para o modo de como a araraquarense foi morta pode ser obtida no documentário de Belisário França, “Soldados do Araguaia”, por meio dos relatos dos sentinelas que faziam a vigia do local onde estavam aprisionadas Tuta e “Dina”. Os soldados descreveram que os militares costumavam levar os prisioneiros e prisioneiras em “viagens” de helicóptero e, em seguida, voltavam sem os “passageiros”. Os próprios soldados, apesar de não terem presenciado o ato, relatam que provavelmente os prisioneiros eram jogados do helicóptero na selva.

 

Em 2010, a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) condenou o Brasil pela desaparição de 62 pessoas na região do Araguaia. Dentre elas, está Tuta Garlippe.

 

Mais informações sobre Tuta Garlippe podem ser encontradas no site da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo.


Publicado em: 19 de janeiro de 2024

Cadastre-se e receba notícias em seu email

Categoria: Câmara

Comentários

Adicione seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.


Outras Notícias

Fique por dentro

Projeto aprovado prorroga por mais 10 anos reserva de vagas para negros em concursos públicos municipais

02 de abril de 2025

Durante a 11ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Araraquara, na última terça-feira (1º), foi aprovado pelos vereadores o projeto de lei que prorroga por mais 10 anos a vigência da Lei Municipa...



Mato toma conta de calçada no Jardim Botânico

02 de abril de 2025

Em indicação encaminhada à Prefeitura, o vereador Dr. Lelo (Republicanos) solicita a limpeza de mato na calçada em trecho da Avenida Dom Carlos Carmelo, no Jardim Botânico.   Segundo o parlamenta...



Centro de Testagem (02/04)

02 de abril de 2025

O Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) passará a atender o público em novo endereço a partir da quinta-feira (3). O atendimento será feito no Serviço Especial de Saúde de Araraquara (Sesa), da...



Prorrogação de cotas raciais em concursos públicos de Araraquara é aprovada pela Câmara

01 de abril de 2025

    A Câmara Municipal aprovou a prorrogação, por mais 10 anos, da lei municipal que reserva a candidatos negros 20% das vagas a serem preenchidas nos concursos públicos para empregos na administ...



Concursos públicos da Prefeitura são tema de requerimento

01 de abril de 2025

Recentemente, o presidente da Câmara Municipal, vereador Rafael de Angeli (Republicanos), enviou o Requerimento nº 515/2025 à Prefeitura, solicitando informações sobre concursos públicos, como homo...



Teatro musical infantil

01 de abril de 2025

A Casa SP Afro Brasil “Oswaldo da Silva Bogé”, em parceria com a companhia 4i Artes, está com inscrições abertas para uma nova turma de teatro musical infantil. Destinado a crianças de 6 a 9 anos,...





Esse site armazena dados (como cookies), o que permite que determinadas funcionalidades (como análises e personalização) funcionem apropriadamente. Clique aqui e saiba mais!