Notícias



Direitos dos trabalhadores são discutidos em Audiência Pública

Debate foi convocado pelo vereador Paulo Landim (PT)

1653


Em dezembro de 2018, antes mesmo da posse do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o Governo Federal anunciou a extinção do Ministério do Trabalho. De acordo com o chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, as demandas e atribuições da pasta, nos próximos anos, seriam de responsabilidade dos ministérios da Justiça (fiscalização das normas trabalhistas, concessão de cartas sindicais), da Cidadania (formação profissional) e da Economia (geração de emprego, gestão dos recursos do FAT e FGTS). Em 1º de janeiro de 2019, o pronunciamento se concretizou e o Ministério do Trabalho foi extinto, juntamente com outras pastas, sob a justificativa de redução de gastos com a máquina pública. Contudo, a decisão não foi bem recebida por advogados, procuradores, juízes e demais agentes do Judiciário, do Legislativo e da sociedade civil. Quem também foi contrário à decisão foi o vereador Paulo Landim (PT). Para fomentar a discussão e o envolvimento dos cidadãos do município com a causa, o parlamentar convocou Audiência Pública para debater o tema na Câmara Municipal de Araraquara. Na noite da quinta-feira (7), integrantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Araraquara, juízes, advogados, sociedade civil e o vice-prefeito Damiano Neto (Progressistas) estiveram reunidos. No centro da discussão, os prejuízos causados aos trabalhadores com a extinção do órgão. Para o presidente da OAB, Tiago Romano, o questionamento aos retrocessos deve ser um compromisso da entidade. “A OAB não é uma mera instituição de classe, mas tem o seu papel balizador na sociedade, de modo a preservar um ambiente pacificador, no qual os direitos da população estejam garantidos”, reiterou.

 

Desemprego e trabalho escravo

Landim destacou o papel fundamental do órgão na formulação de políticas públicas: “O Ministério é imprescindível para o fortalecimento e modernização das relações trabalhistas e fomento à criação de emprego e renda, em um país com mais de 12 milhões de desempregados”. O parlamentar também considerou inconstitucional a medida do Governo Federal. “O Ministério do Trabalho, previsto na Constituição Federal, é garantidor dos direitos sociais fundamentais, dos quais se destaca o trabalho. Portanto, sua extinção afronta a Carta Magna Brasileira, que assegura a empregados e empregadores a participação em colegiados dos órgãos públicos para debater e deliberar sobre temas de seu interesse”. Com a extinção do Ministério, o aumento do trabalho escravo é uma preocupação. “A fiscalização será reduzida. Quem nos garantirá que empregadores não explorarão empregados, principalmente nas regiões mais distantes dos grandes centros?”, questionou o juiz do Trabalho Carlos Alberto Frigieri.

 

E teve até Dona Ivone Lara...

Para a militante do Movimento Negro e Promotora Legal Popular Luciana Gonçalves, a medida recai principalmente sobre população negra, que ainda luta pela liberdade. “Como diria a música, ‘negro sem emprego, fica sem sossego’, pois ainda que a escravidão tenha sido abolida no século passado, ainda hoje somos apartados da garantia de direitos. Quem irá assegurar que não seguiremos escravizados?”

 

Ameaça à Justiça do Trabalho

Polêmica na discussão também é a possível extinção da Justiça do Trabalho, mencionada pelo presidente em entrevista concedida ao SBT, em janeiro desse ano. Durante sua fala, o presidente se manifestou contrário à existência de uma justiça especializada para as causas trabalhistas. "Qual país que tem [Justiça do Trabalho]? Tem de ter a Justiça comum", afirmou Bolsonaro, fazendo referência aos altos números de processos trabalhistas registrados no Brasil. O ex-presidente da OAB João Luiz Ultramari, um dos advogados mais antigos de Araraquara, relembrou a dificuldade em trazer a Justiça do Trabalho para a cidade em 1962 e reiterou a agilidade da justiça especializada na resolução dos processos.

 

Por que existe a Justiça do Trabalho?

Segundo Frigieri, a Justiça do Trabalho existe para preservar a dignidade da fonte do trabalho e, por isso, não pode ser extinta, nem transferida para a justiça comum. “O trabalho normalmente é a principal fonte de renda e de sobrevivência da maioria das pessoas. Todos dependem do trabalho para sobreviver, sejam empregadores ou empregados. Por isso, é importante a preservação da Justiça do Trabalho, ela é patrimônio do povo brasileiro”, justificou. A manutenção da justiça especializada também foi defendida pela advogada trabalhista Isabella Sene. “O tempo médio de um processo em tramitação em fase de conhecimento em 1º grau na Justiça estadual é de 3 anos e 7 meses, na Justiça Federal, de 3 anos e 8 meses, ao passo que na Justiça do Trabalho é de 11 meses. Caso essa mudança aconteça, as causas trabalhistas levariam demasiado tempo para serem resolvidas e o trabalhador seria o principal prejudicado”, explicou.

 

Encaminhamentos

Ainda que a decisão de extinção da Justiça do Trabalho tenha que partir do Supremo Tribunal Federal (STF), o vereador Paulo Landim (PT) e a OAB Araraquara encaminharão documentos para os órgãos envolvidos, tanto do Governo Federal, bem como da Justiça do Trabalho.

 

Confira as fotos aqui


Publicado em: 09 de março de 2019

Cadastre-se e receba notícias em seu email

Categoria: Câmara

Comentários

Adicione seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.


Outras Notícias

Fique por dentro

Após audiência, revisão da cobrança pela organização de corridas de rua será sugerida à Prefeitura

03 de junho de 2026

Após a Audiência Pública “A importância das corridas de rua e análise do Decreto nº 14.140/2026”, realizada no Plenário da Câmara de Araraquara na tarde desta quarta-feira (3), será apresentada à P...



Agenda Esportiva – 03/06

03 de junho de 2026

Futebol de base masculino Pela 6ª rodada do Paulista Sub-15, a Ferroviária enfrenta o Velo Clube neste sábado (6), às 9 horas, no Estádio Municipal Antônio Luiz de Mattos (Expocana), em Serrana. A...



Melhorias no trânsito de veículos no Residencial Monte Carlo são solicitadas à Prefeitura

03 de junho de 2026

O presidente da Câmara Municipal, Rafael de Angeli (Republicanos), e a 1ª secretária da Mesa Diretora, Geani Trevisóli (PL), apresentaram quatro Indicações à Prefeitura com pedidos de melhorias no...



Agenda Cultural – 03/06

03 de junho de 2026

Oficina A programação do 23º Território da Arte de Araraquara oferece nesta quarta-feira (3), às 14h, a oficina “Tear Humano”, com Alexandre Heberte. A intervenção artística será realizada em fre...



Documento questiona impactos da possível privatização dos cemitérios municipais de Araraquara

03 de junho de 2026

A possibilidade de concessão dos cemitérios municipais de Araraquara à iniciativa privada motivou a apresentação dos Requerimentos nº 1219/2026 e nº 1220/2026 pelas vereadoras Fabi Virgílio (PT), F...



MiauDote

03 de junho de 2026

A Prefeitura de Araraquara lançou o MiauDote, primeiro site oficial de adoção de animais do município. A plataforma foi criada para facilitar o acesso da população às adoções responsáveis, permitin...





Esse site armazena dados (como cookies), o que permite que determinadas funcionalidades (como análises e personalização) funcionem apropriadamente. Clique aqui e saiba mais!